Mensagem enviada dia 21/09 aos veículos de comunicação e programas que têm
publicado reportagens sobre a questão dos ataques de pit bulls.
Srs.
Temos assistido estarrecidos às notícias que vêm sendo veiculadas nos órgãos
de imprensa, inclusive este, sobre os ataques de pit bulls às pessoas e a
outros cães. E nosso estarrecimento é com a desinformação reinante e o
sensacionalismo com que o assunto vem sendo tratado na mídia, um desserviço
às pessoas, aos animais, à vida. Esta postura tem causado uma reação
histérica da população e provocado sofrimento e violência muito maiores do
que aqueles que a imprensa vem denunciar. Os abandonos de cães desta raça e
mesmo de outras consideradas “perigosas” estão acontecendo às centenas,
agravando a situação dos animais e da população, que fica mais exposta aos
cães treinados para serem agressivos.
Estes cães abandonados, muitos deles dóceis mas também vítimas da mesma
insensatez, vêm sendo trucidados pela população que, apavorada, chega a
atear fogo em animais vivos ou os abate a pauladas e pedradas, entre outras
barbaridades, em verdadeiros linchamentos que nos remetem a tempos
medievais.
Obviamente, não há qualquer insensibilidade em relação às vítimas humanas
dos ataques, algumas fatais, afinal antes de tudo defendemos a vida contra
toda forma de violência. Solidarizamo- nos com as famílias. Porém,
estabelecer que os cães são os culpados é bem cômodo e desvia o foco dos
verdadeiros responsáveis, colaborando assim para perpetuar a situação.
Vemos autoridades públicas incompetentes, dando respostas improvisadas,
tecnica e moralmente questionáveis, incapazes de reagir de forma eficaz e
eticamente aceitável às “tragédias anunciadas” como esta e optando pela
solução mais à mão: o extermínio. Nenhuma ação preventiva sobre o indecente
comércio de animais ou de caráter educacional, nada. Apenas a medida
hipócrita de jogar a responsabilidade sobre aqueles que não podem se
defender, punindo-os com a morte.
Outro aspecto que vem sendo deixado de lado pela mídia é a imoral criação e
venda destes cães. Os criadores, preocupados exclusivamente com a
lucratividade, comercializam animais (atividade por si só questionável) da
forma mais irresponsável possível, vendendo-os a qualquer um que pague o
preço e pouco se importando com o destino deles, com o tipo de tratamento
que receberão ou com a consciência sobre “guarda responsável” de quem os
compra. E para muitos destes cães o destino é o de serem propositalmente
transformados em animais violentos. Não bastasse isso, os criadores alegam
que os cães agressivos são os mestiços, não os de raça pura, com pedigree,
como manifestaram em recente audiência pública na Assembléia Legislativa de
SP. Uma clara e também imoral tentativa de direcionar a ação pública
exclusivamente contra os criadores de “fundo de quintal”, reservando assim o
mercado para os “criadores oficiais”, que buscam ainda faturar sobre esta
tragédia. Além, claro, de eximirem-se de responsabilidades. Este comércio
não tem que ser regulamentado, tem que ser extinto.
A despeito de entendermos que animais não estão no planeta para servir a
qualquer propósito humano e que existem por suas próprias razões, pit bulls
vêm sendo utilizados até mesmo em Terapia Assistida por Animais, o que
comprova sua natureza dócil. Isto é feito, por exemplo, pelo estudante de
Enfermagem, adestrador e proprietário do canil que leva o seu sobrenome,
Fábio Arakaki, que desenvolve uma atividade pioneira com pit bulls para fins
terapêuticos no abrigo para idosos São Lourenço, em Jaú/SP. Os relatos sobre
a docilidade destes animais são inúmeros, porém não dão notícia.
Citando uma conhecedora do assunto, a médica veterinária Andréa Lambert*, do
RJ, a propósito dos pit bulls e outras raças equivocadamente consideradas
agressivas:
*”Não existe estudo que comprove o comportamento agressivo que insistem em
associar a estas raças. Pelo contrário: profissionais especializados em
comportamento animal sempre informam que a agressividade pode se manifestar
em cães independentemente da raça. A agressividade dos cães, na maioria das
vezes, é estimulada pelo homem; pitbulls, rotweilers, dobermanns e filas
brasileiros servem de bode expiatório para a impunidade e incompetência do
poder público em lidar com a crescente relação homem/ animal em nossa
sociedade.
Geralmente as agressões caninas estão ligadas à falta de convivência dos
animais com as pessoas e a maus tratos, como cães mantidos acorrentados, sem
alimento ou espaço físico suficientes, e espancamento. É fácil culpar um ser
” irracional”, quando é o ser ” racional” quem deveria zelar pelo bem-estar
dos animais que estão sob sua responsabilidade. O pitbull não é menos
amoroso com seu dono que outros cães. É um cão dócil e companheiro. O
problema é o dono insensível e irresponsável. ” *
Outros dados importantes* :
A American Temperament Test Society, Inc.**, focou e mediu diferentes
aspectos do temperamento de cerca de 150 raças de cães, como a estabilidade,
a timidez, a agressividade e a amizade, assim como o instinto do cão à
proteção de seu tutor e à sua auto-preservaçã o quando estiver com medo.
Nessas observações, com base nos comportamentos naturais, comprovou-se que a
raça Pit Bull é uma das com maior “aprovação” para o relacionamento com
humanos e mesmo com outros animais. Apenas a título de comparação, pit
bulls possuem aprovação de 83,4%, já os poodles toys 80,9%, os beagles 78,2%
e os chow chows 69,3%.
* Informações extraídas de http://www.ranchodo sgnomos.org. br/colunajur25. htm
** Fonte citada: http:// www.atts.org
Vídeo que também aborda esta questão pode ser acessado em
http://hyenaklown. deviantart. com/art/Portugue se-Version- 12776939
Senhores, que prevaleça o jornalismo responsável, interessado em investigar
a fundo os temas que se propõe tratar e que presta um serviço importante aos
seres deste planeta, não o que fica à superfície em busca da manchete fácil.
Mauricio Varallo e
Nina Rosa Jacob
Instituto Nina Rosa – projetos por amor á vida
www.institutoninaro sa.org.br
